O motor silencioso do desenvolvimento da Região dos Lagos
- Bernardo Ariston

- 27 de nov. de 2025
- 3 min de leitura
São Pedro da Aldeia vive um ciclo consistente de expansão populacional, fortalecimento econômico e valorização urbana. Longe dos holofotes do turismo oceânico, o município se consolidou como polo de serviços, logística, moradia, comércio e turismo lacustre, influenciando diretamente o desenvolvimento de toda a Região dos Lagos e sinalizando um futuro estratégico para o interior fluminense.

Por Bernardo Ariston
São Pedro da Aldeia deixou há muito tempo de ser apenas uma cidade de passagem entre Cabo Frio, Araruama e Iguaba. Aos poucos, de maneira menos ruidosa e mais consistente que seus vizinhos mais famosos, o município se tornou um dos pólos de crescimento mais relevantes da Região dos Lagos. Seu avanço populacional, seu dinamismo econômico e a força crescente de suas atividades comerciais mostram que São Pedro ocupa hoje um papel estratégico na engrenagem socioeconômica fluminense, embora ainda subestimado por quem enxerga a região apenas pelo viés turístico.
Nos últimos doze anos a população de São Pedro aumentou de pouco menos de 90 mil habitantes para cerca de 104 mil, um salto de quase 18% segundo o Censo. Trata-se de um crescimento contínuo, impulsionado por um perfil demográfico jovem e pela expansão imobiliária que acompanha a migração interna de trabalhadores. Gente que, por razões econômicas e de mobilidade, prefere morar na cidade e trabalhar em Cabo Frio, Búzios, Arraial ou Iguaba. Esse fluxo diário transformou São Pedro em um pólo residencial de peso, com demanda crescente em saúde, educação, transporte e estrutura urbana. Não é à toa, é na vida da família comum, na creche que precisa abrir, na unidade de saúde que precisa atender e na rua que precisa ser pavimentada que se mede o progresso concreto de uma cidade.
A força econômica acompanha esse ritmo. São Pedro tem hoje um PIB estimado em mais de R$ 2,7 bilhões, número que o coloca entre as maiores economias do interior do estado. A composição do PIB explica muito do que a cidade vem se tornando: mais da metade vem do setor de serviços e comércio, que cresceu para atender à população que aumenta e às cidades vizinhas que, muitas vezes, dependem de São Pedro para suprimentos, mão de obra e serviços de apoio. Somam-se a isso uma indústria de base modesta, mas presente, e um setor da construção civil que vive ciclos de expansão.
Esse movimento gerou uma cidade com identidade própria. São Pedro oferece hoje aquilo que seus vizinhos mais turísticos não conseguem dar com tanta estabilidade, ou seja, moradia mais acessível, oferta crescente de empregos, comércio forte e geografia estratégica. Cruza a região pelo meio, conectando todos os municípios pela RJ-140 e pela RJ-106. É corredor de logística, de serviços, de mão de obra e de abastecimento. Não é exagero dizer que, sem São Pedro, parte do funcionamento diário da Região dos Lagos seria prejudicado, especialmente nos setores de construção, transporte, comércio e serviços gerais.
A vocação aldeense não se limita ao papel de base de apoio, o município começa a compreender e explorar seu protagonismo turístico. A orla revitalizada, bem iluminada e urbanizada, transformou o Centro em um cartão-postal moderno, agradável e atrativo. A Lagoa de Araruama, ressurge como símbolo do turismo lacustre, dos esportes náuticos, da cultura local e da economia do mar. Marinas, pequenas embarcações, eventos, história, pesca e gastronomia compõem uma paisagem que, se bem trabalhada, pode fazer de São Pedro um pólo complementar às praias oceânicas, oferecendo ao turista uma experiência diferente e mais tranquila.
Ao observar o conjunto, fica evidente que São Pedro da Aldeia se tornou um motor silencioso do desenvolvimento regional. Um motor que não se apoia em espetáculos turísticos, mas em crescimento real: no comércio que abre mais cedo, na construção civil que contrata, na escola que lota, no jovem que chega, na logística que cruza a cidade e no investimento público que começa a compreender a dimensão desse novo papel. A Região dos Lagos precisa reconhecer São Pedro não como coadjuvante, mas como elemento vital para seu próprio futuro. Aliás, mais que isso, o próprio município precisa começar a se enxergar como potência, uma vez que tem todos os predicados para isso.








Excelente